Com desenvolvimento silencioso, o aneurisma cerebral é uma dilatação anormal em uma artéria do cérebro que pode permanecer sem sintomas por muitos anos. A alteração acontece quando a parede do vaso fica enfraquecida e começa a se expandir aos poucos, tornando-se mais frágil à pressão do sangue que circula pelo local.
Mesmo sem provocar sinais no início, a dilatação apresenta risco de ruptura, o que pode causar uma hemorragia cerebral grave e com risco de morte. Quando ocorre o rompimento, os sintomas aparecem de repente, com dor intensa e alterações neurológicas, indicando uma emergência médica que precisa de atendimento rápido para salvar a vida da pessoa e diminuir a chance de sequelas.
O que é aneurisma cerebral?
Um aneurisma cerebral, também chamado de aneurisma intracraniano, é uma dilatação anormal que ocorre em um vaso sanguíneo do cérebro, causada pelo enfraquecimento das paredes arteriais. Quando a parede vascular perde resistência, se forma uma espécie de abaulamento (bolha) preenchido por sangue, que permanece em constante pressão e pode aumentar de tamanho silenciosamente ao longo do tempo.
O risco aparece quando o aneurisma se rompe, o que provoca sangramento dentro da cabeça, conhecido como hemorragia subaracnóide, que é uma emergência médica grave. Quando o sangue extravasa, acontece um aumento repentino da pressão no crânio — o que compromete o fluxo de oxigênio para o cérebro e pode causar perda de consciência, coma ou morte em poucos minutos.
Mesmo os aneurismas que ainda não se romperam merecem atenção, pois podem pressionar estruturas cerebrais e provocar sintomas, como dor de cabeça, paralisia de nervos cranianos e, mais raramente, sintomas motores.
Causas do aneurisma cerebral
Um aneurisma cerebral aparece quando a parede de uma artéria no cérebro se enfraquece ao longo do tempo, tornando-se mais fina e vulnerável à pressão do sangue. O enfraquecimento pode ser favorecido por diversos fatores, como:
- Fragilidade genética dos vasos sanguíneos: algumas pessoas já nascem com paredes arteriais mais frágeis, o que facilita a formação do aneurisma ao longo da vida;
- Pressão alta: a pressão alta não tratada força as paredes das artérias, causando desgaste e dilatações progressivas;
- Tabagismo: substâncias do cigarro danificam os vasos sanguíneos e aceleram o enfraquecimento das artérias cerebrais;
- Consumo elevado de álcool: o uso frequente de bebidas alcoólicas pode alterar a estrutura dos vasos e aumentar o risco de ruptura;
- Doenças hereditárias do tecido conjuntivo: são condições que afetam a elasticidade dos vasos tornam as paredes arteriais mais vulneráveis;
- Infecções ou inflamações nos vasos cerebrais: a presença de processos inflamatórios podem enfraquecer a estrutura da artéria;
- Traumatismos cranianos: pancadas muito fortes na cabeça podem danificar artérias e favorecer o surgimento de dilatações.
Sintomas de aneurisma
Um aneurisma cerebral não rompido, na maior parte dos casos, não causa sintomas e a dilatação pode passar despercebida por anos, pois não interfere no funcionamento do cérebro. De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, existe a chance de a pessoa apresentar um quadro de cefaleia sentinela, que é uma dor de cabeça de início súbito causada pelo aumento do aneurisma sem rompimento, mas não é o mais comum.
Quando ocorre a ruptura do aneurisma, os sintomas aparecem subitamente e de forma intensa, sendo eles:
- Dor de cabeça abrupta e extremamente intensa e incapacitante, descrita como a pior dor da vida;
- Náuseas e vômitos;
- Rigidez na nuca;
- Sensibilidade à luz;
- Confusão mental ou dificuldade para falar;
- Perda de consciência;
- Convulsões.
A ruptura de um aneurisma exige atendimento médico urgente, pois o sangramento no cérebro pode provocar sequelas graves ou ser fatal em poucos minutos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do aneurisma cerebral é feito por exames de imagem que permitem visualizar as artérias do cérebro e identificar se há dilatação ou sangramento, sendo eles:
- Tomografia: é capaz de detectar sangramento no cérebro em casos de suspeita de ruptura. Quando associada ao contraste (angiotomografia), pode mostrar a localização detalhada do aneurisma;
- Ressonância magnética: produz imagens mais precisas das estruturas cerebrais e das artérias, podendo ser útil tanto para aneurismas rotos quanto não rotos;
- Angiografia cerebral: é o exame considerado padrão-ouro, em que um cateter é introduzido por uma artéria do braço ou da perna e conduzido até os vasos do cérebro, permitindo visualizar com clareza o formato e o tamanho do aneurisma.
Segundo Ana, os exames de imagem são indicados apenas quando há uma forte suspeita de aneurisma ou quando há histórico familiar — e é o médico que vai avaliar se essa história familiar é relevante para solicitar uma investigação ou não.
Tratamento de aneurisma cerebral
O tratamento de um aneurisma cerebral sempre é cirúrgico, independentemente da técnica utilizada, de acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi. Aneurismas muito pequenos, eventualmente podem ter conduta expectante, mas necessitam de reavaliação constante.
Existem duas formas de tratar o aneurisma, e a escolha do método depende da localização do aneurisma, do tamanho, do risco de ruptura e das condições clínicas do paciente. Quando existe mais de uma possibilidade, o médico decide junto com o paciente qual é a mais indicada.
- Clipagem cirúrgica: é realizada por meio de abertura do crânio (craniotomia). O neurocirurgião acessa diretamente o aneurisma e coloca um clipe metálico na base da dilatação para interromper o fluxo de sangue naquele ponto, evitando o risco de ruptura;
- Tratamento endovascular: é feito por dentro dos vasos sanguíneos, sem abertura do crânio. Um cateter é introduzido por uma artéria e guiado até o aneurisma. Dentro da dilatação, são colocados dispositivos que bloqueiam o fluxo de sangue internamente, promovendo o fechamento do aneurisma por dentro.
Ambos os procedimentos têm como objetivo impedir o sangramento e proteger o cérebro, sendo os dois cirúrgicos e com necessidade de acompanhamento pós-operatório.
Aneurisma cerebral causa sequelas?
O aneurisma cerebral pode causar sequelas, especialmente quando ocorre ruptura. Quando o sangramento acontece dentro da cabeça, o cérebro sofre uma agressão intensa, o que pode comprometer funções importantes do corpo.
- Dificuldade para falar ou se comunicar;
- Fraqueza ou paralisia em um lado do corpo;
- Alterações na memória e no raciocínio;
- Problemas de concentração e comunicação;
- Mudanças no comportamento ou nas emoções;
- Perda de visão ou visão dupla;
- Tonturas e desequilíbrios;
- Dificuldade de controlar a evacuação e a liberação de urina.
A gravidade das sequelas varia conforme a região atingida, o tempo até o socorro e a resposta ao tratamento. Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as chances de preservar a função cerebral e reduzir os danos permanentes.
É possível prevenir um aneurisma?
Não é possível impedir totalmente que um aneurisma se forme ou cresça, de acordo com Ana. Contudo, controlar fatores de risco que afetam os vasos sanguíneos pode reduzir a chance de rompimento, como:
- Controle da pressão arterial;
- Controle do diabetes;
- Controle do colesterol;
- Manter o peso adequado;
- Parar de fumar;
- Reduzir o consumo de álcool;
- Praticar regularmente atividades físicas;
- Alimentação equilibrada, com baixo teor de gordura saturada.
Quando procurar atendimento médico?
O rompimento de um aneurisma é uma emergência médica e o paciente deve ser levado imediatamente ao pronto-socorro. Um dos primeiros sintomas é a dor de cabeça repentina e muito intensa, descrita como a pior dor já sentida na vida, além de sinais como:
- Náuseas e vômitos;
- Rigidez na nuca;
- Alteração da visão;
- Confusão mental;
- Sonolência ou perda de consciência;
- Fraqueza em um lado do corpo;
- Convulsões.
Ana ressalta que, mesmo que o paciente não apresente déficits neurológicos, apenas a dor de cabeça intensa e súbita já é motivo de levá-lo ao pronto-socorro. E atente-se: ele deve ser levado ao hospital, não ao consultório médico.
Quanto mais rápido for o atendimento, maiores são as chances de evitar danos permanentes ao cérebro, reduzir o risco de morte e aumentar as possibilidades de recuperação.
Perguntas frequentes
1. O aneurisma cerebral pode desaparecer sozinho?
O aneurisma cerebral não desaparece espontaneamente, pois a dilatação faz parte da estrutura da parede do vaso e, uma vez formada, permanece. A abordagem de tratamento é sempre cirúrgica e a escolha da técnica é feita em conjunto pelo médico e o paciente.
2. O aneurisma pode voltar depois da cirurgia?
O aneurisma tratado cirurgicamente pode, em alguns casos, reaparecer ou formar um novo aneurisma em outra área do cérebro — e isso depende do tipo de procedimento realizado e dos fatores de risco do paciente. Por isso, o acompanhamento com exames periódicos é indicado mesmo após o tratamento.
3. O aneurisma tem cura definitiva?
O aneurisma cerebral pode ser tratado de forma definitiva por meio da clipagem ou do tratamento endovascular, que isolam a dilatação do fluxo sanguíneo. No entanto, o paciente continua sob vigilância por risco de formação de novos aneurismas.
4. O aneurisma cerebral é hereditário?
O aneurisma cerebral pode ter componente genético, visto que pessoas com familiares de primeiro grau com aneurisma têm maior probabilidade de desenvolver a dilatação.
Contudo, existem outros fatores associados ao estilo de vida que podem favorecer o enfraquecimento das paredes arteriais, em especial o tabagismo.
5. O aneurisma pode romper durante o sono?
Sim, um aneurisma pode romper durante o sono. Apesar da pressão arterial normalmente diminuir durante a noite, outros fatores podem influenciar na ruptura, como o diabetes e distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva do sono.
Inclusive, um estudo japonês mostrou que 9,5% das hemorragias subaracnóideas (sangramento que ocorre no espaço entre o cérebro e a membrana que o reveste, a aracnoide) por aneurismas ocorreram durante o sono.
6. Pessoas com aneurisma podem tomar medicamentos comuns para dor de cabeça?
Para pessoas com aneurisma, não é recomendado tomar medicamentos comuns para dor de cabeça sem orientação médica, pois alguns podem alterar a pressão arterial ou interferir na coagulação do sangue.
Qualquer dor persistente deve ser avaliada por médico, e o uso de medicamentos deve ocorrer com prescrição adequada, principalmente em quem já teve aneurisma tratado.
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