Ômega-3: o que é, para que serve, benefícios e alimentos

Filés de salmão preparados com ervas e temperos naturais, fonte de ômega-3 em uma alimentação equilibrada.

Conhecido por ser uma “gordura saudável”, o ômega-3 é um tipo de ácido graxo essencial que participa de diversas funções importantes do organismo, ajudando a cuidar do coração, a manter os processos inflamatórios sob controle e a garantir o bom funcionamento do sistema nervoso.

Uma vez que o corpo não é capaz de produzir o ômega-3 em quantidade suficiente, a nutricionista Fernanda Pacheco explica que é necessário obtê-lo por meio da alimentação, principalmente a partir de peixes de água fria, sementes e oleaginosas.

A presença regular dos alimentos na dieta contribui para a prevenção de doenças cardiovasculares, auxilia na saúde cerebral e pode trazer benefícios ao controle da inflamação no dia a dia. Entenda mais, a seguir!

O que é ômega-3?

O ômega-3 é um tipo de gordura poli-insaturada que pertence ao grupo dos ácidos graxos essenciais. De modo geral, é uma molécula de gordura que faz parte da estrutura das células do corpo humano e participa diretamente de processos vitais do organismo.

“Ele participa de processos como a formação das membranas das células, comunicação entre neurônios e equilíbrio de respostas inflamatórias. Por isso, níveis adequados podem contribuir para o bom funcionamento do cérebro, do sistema cardiovascular e da saúde geral”, aponta Fernanda.

Existem três principais tipos de ômega-3 importantes para a saúde: o ALA, presente em alimentos de origem vegetal; o EPA e o DHA, encontrados principalmente em peixes e frutos do mar.

O corpo consegue produzir ômega-3 sozinho?

O corpo humano não consegue produzir ômega-3 sozinho em quantidade suficiente. Por esse motivo, o nutriente é classificado como um ácido graxo essencial, o que significa que precisa ser obtido por meio da alimentação ou, em alguns casos, da suplementação.

De acordo com Fernanda, existe um tipo de ômega-3 vegetal chamado ALA, presente em sementes como chia e linhaça, e em oleaginosas como nozes. O organismo consegue converter uma parte desse ALA nas formas EPA e DHA, que são as mais ativas biologicamente e estão naturalmente presentes nos peixes.

“Porém, essa conversão é bem limitada — em muitas pessoas, menos de 5% do ALA vira EPA, e uma porcentagem ainda menor se transforma em DHA. Isso significa que, mesmo consumindo fontes vegetais, o corpo ainda depende do consumo direto de EPA e DHA (via peixes ou suplementos, quando necessário)”, esclarece a nutricionista.

Além disso, fatores como estresse, idade, consumo de ômega-6, estado hormonal e até características genéticas podem influenciar a capacidade de cada pessoa converter o ALA em EPA e DHA, tornando o processo ainda menos eficiente em algumas pessoas.

Para que serve o ômega-3?

O ômega-3 participa da estrutura das células, especialmente no cérebro e nos vasos sanguíneos, e contribui para a comunicação adequada entre elas. Entre as principais funções, é possível destacar:

  • Contribuição para a saúde do coração, auxiliando na redução dos triglicerídeos e na proteção dos vasos sanguíneos;
  • Participação no controle de processos inflamatórios;
  • Apoio ao funcionamento do cérebro, favorecendo memória, concentration e equilíbrio do humor;
  • Papel estrutural nas membranas das células;
  • Contribuição para a saúde da visão;
  • Auxílio no equilíbrio metabólico e na função do sistema nervoso.

Benefícios do ômega-3 para a saúde

Segundo Fernanda, os benefícios do ômega-3 variam de indivíduo para indivíduo e dependem da quantidade e do tipo de ômega-3 consumido. Mas, de maneira geral, pode trazer benefícios como:

  • Redução do risco de doenças cardiovasculares;
  • Diminuição dos níveis de triglicerídeos no sangue;
  • Menor inflamação no organismo;
  • Melhora da memória e da concentração;
  • Maior proteção da saúde cerebral ao longo da vida;
  • Contribuição para a saúde da visão;
  • Alívio de dores e desconfortos articulares em algumas pessoas;
  • Auxílio no equilíbrio do humor;
  • Apoio à saúde metabólica;
  • Contribuição para o bem-estar geral.

Quais os alimentos com ômega-3?

As principais fontes de ômega-3 são os peixes de água fria, como salmão, sardinha, atum, cavalinha e arenque, que fornecem principalmente as formas EPA e DHA, consideradas as mais ativas no organismo, segundo Fernanda.

Entre os alimentos de origem vegetal, é possível destacar a linhaça, a chia e as nozes, que oferecem o ALA, uma forma de ômega-3 diferente da encontrada nos peixes.

No organismo, o ALA pode ser convertido em EPA e DHA, porém a conversão ocorre de maneira limitada, o que torna importante a combinação de fontes vegetais e, quando possível, fontes marinhas na alimentação.

Como inserir o ômega-3 no dia a dia?

É possível aumentar o consumo de ômega-3 com pequenas escolhas no dia a dia. Os peixes ricos em ômega-3 podem ser incluídos na alimentação duas a três vezes por semana, segundo Fernanda, enquanto as sementes, como chia e linhaça, podem ser adicionadas com facilidade a iogurtes, frutas, vitaminas e saladas.

A suplementação também pode ajudar a atingir a quantidade adequada, mas a necessidade e indicação deve ser avaliada por um profissional da saúde.

Quando a suplementação é necessária?

A suplementação pode ser considerada quando a pessoa não consome regularmente as principais fontes de ômega-3, quando existe necessidade clínica de elevar os níveis no organismo ou quando o profissional de saúde identifica que a ingestão alimentar não é suficiente.

A suplementação também pode ser útil em pessoas com maior demanda metabólica ou condições específicas, desde que orientado por nutricionista ou médico.

“Quanto à proporção ideal no suplemento, isso varia conforme o objetivo e a condição individual. Algumas pessoas podem se beneficiar de proporções mais altas de EPA, outras de DHA, e isso costuma ser ajustado caso a caso por um profissional”, complementa Fernanda.

O excesso de ômega-3 faz mal?

O uso exagerado de ômega-3 pode fazer mal, especialmente quando ocorre por meio de suplementação sem orientação profissional.

Em quantidades muito elevadas, Fernanda explica que ele pode causar desconfortos gastrointestinais, aumentar o risco de sangramentos em pessoas predispostas e, embora seja menos comum, pode interagir com alguns medicamentos.

Por isso, mesmo sendo um nutriente importante, a suplementação deve ser feita com cuidado e acompanhada por um profissional de saúde.

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Perguntas frequentes

O ômega-3 influencia a saúde mental?

O ômega-3 participa da estrutura das células cerebrais e da comunicação entre neurônios. Estudos associam níveis adequados a melhor equilíbrio do humor, menor inflamação cerebral e possível apoio em quadros de ansiedade e depressão, sempre como complemento ao acompanhamento profissional.

Existe diferença entre ômega-3 de cápsula e de alimentos?

O ômega-3 obtido por alimentos vem acompanhado de outros nutrientes benéficos, como proteínas, vitaminas e minerais. A suplementação oferece doses mais concentradas e padronizadas, úteis quando a alimentação não supre as necessidades. Ambos podem ser eficazes, desde que bem indicados.

O ômega-3 pode ajudar quem pratica atividade física?

O consumo adequado pode auxiliar na recuperação muscular, no controle da inflamação causada pelo exercício e na saúde das articulações. Em atletas ou praticantes frequentes, pode contribuir para melhor adaptação ao treino e menor desconforto pós-atividade.

Crianças precisam consumir ômega-3 regularmente?

Durante a infância, o ômega-3 é importante para o desenvolvimento cerebral e visual. A inclusão de fontes adequadas na alimentação contribui para aprendizado, atenção e desenvolvimento neurológico saudável.

Pessoas com problemas digestivos absorvem bem o ômega-3?

Algumas condições intestinais podem interferir na absorção de gorduras, incluindo o ômega-3. Nesses casos, a forma de consumo e a necessidade de suplementação devem ser avaliadas por um profissional.

Gestantes precisam de mais ômega-3?

Durante a gestação, especialmente no terceiro trimestre, o DHA é importante para o desenvolvimento cerebral e visual do feto. A necessidade pode aumentar, exigindo orientação de um profissional para ajuste alimentar ou suplementação.

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