Conhecido por trabalhar o corpo de forma integrada e controlada, o pilates é uma prática de condicionamento físico que, com o passar do tempo, se tornou ainda mais popular entre pessoas que já mantêm uma rotina ativa, especialmente quem faz musculação ou outros esportes.
Ele não substitui os treinos tradicionais, mas pode funcionar como um complemento, ajudando no fortalecimento profundo da musculatura, na melhora da postura e na prevenção de lesões. Vamos entender mais, a seguir.
Pilates pode complementar o treino de musculação ou prática esportiva?
A resposta é sim! A prática ajuda a fortalecer os músculos profundos, principalmente a região do core, o que contribui para mais estabilidade, melhor postura e maior controle dos movimentos durante outros treinos.
“A musculação ou esportes acabam trabalhando a musculatura do core de forma indireta, já o pilates atua de maneira diferente, focando mais nos músculos estabilizadores profundos que dão suporte aos grandes grupos musculares”, explica o educador físico Álvaro Menezes.
O pilates também favorece a flexibilidade, a mobilidade articular e a consciência corporal, fatores que ajudam na execução correta dos exercícios, na prevenção de lesões e até na melhora do desempenho esportivo. Como trabalha equilíbrio muscular e alinhamento do corpo, ele funciona bem como um suporte para quem já tem uma rotina ativa, sem substituir o treino principal.
Quais os benefícios do pilates para quem já pratica outras atividades?
1. Consciência corporal e eficiência de movimento
Muitas pessoas usam força além do necessário durante o treino, o que aumenta o gasto de energia e favorece compensações. O pilates ensina o corpo a se organizar melhor, trabalhando cada articulação e cada músculo de forma coordenada.
“Entender como o corpo funciona de maneira segmentada contribui ao praticante desenvolver habilidades de controle de movimentos mais refinados, aplicando a força com mais eficiência e menor gasto de energia”, aponta Álvaro.
Com isso, a aplicação da força se torna mais precisa. O resultado é um movimento mais eficiente, com menos esforço e melhor desempenho.
2. Melhora da mobilidade articular e flexibilidade
Diferente de um alongamento tradicional, o pilates trabalha a flexibilidade com movimento e controle. A prática ajuda a liberar regiões que costumam ficar rígidas com a musculação, como os quadris e os ombros.
Com menos rigidez, as articulações passam a funcionar com mais liberdade, o que reduz desconfortos e tensões acumuladas.
3. Ganho de amplitude para gestos esportivos mais fluidos
Para realizar um agachamento completo, uma braçada na natação ou um chute no futebol, é fundamental ter amplitude de movimento. O pilates fortalece enquanto alonga, o que permite movimentos mais amplos e naturais.
“Para atletas, o ganho de amplitude de movimento, seja articular ou através da flexibilidade, significa maior fluidez dos gestos esportivos e isso reduz os riscos de lesões gerados pelas sobrecargas de treinos e jogos”, complementa o educador físico.
4. Prevenção de lesões
Diversas lesões acontecem por sobrecarga ou por compensação, quando um músculo mais fraco faz outro trabalhar em excesso. A prática de pilates fortalece os músculos estabilizadores profundos, que ajudam a sustentar o corpo durante o esforço.
Com mais equilíbrio muscular, regiões como a coluna lombar, os joelhos e os tornozelos ficam mais protegidas.
5. Melhora da capacidade respiratória
O pilates ensina a usar melhor a capacidade pulmonar e a ativar o abdômen de forma consciente durante a expiração. Para quem faz exercícios aeróbicos ou treinos intensos, o controle ajuda a manter a oxigenação adequada e a reduzir a sensação de cansaço.
6. Estabilidade em exercícios livres
Em exercícios como o agachamento livre, o levantamento terra ou o desenvolvimento de ombros, a estabilidade é necessária para manter o alinhamento adequado da coluna, sustentar a carga com segurança e evitar compensações que sobrecarregam as articulações.
O pilates fortalece o centro de força do corpo (core), o que dá mais sustentação para a coluna durante a execução. Assim, o peso é distribuído de forma mais segura, com menor sobrecarga nas articulações.
7. Melhora do foco e concentração
Durante a prática de pilares, é preciso tel atenção total ao movimento e ao alinhamento do corpo. Esse treino de concentração pode ser aplicado em qualquer modalidade esportiva, principalmente em momentos de maior exigência, como a última repetição de uma série ou uma fase decisiva de uma competição, por exemplo.
Qual a frequência ideal para incluir pilates sem atrapalhar outros treinos?
A frequência mais indicada costuma ser de 1 a 2 sessões semanais, que já são suficientes para ter os benefícios do pilates, de acordo com Álvaro, como melhora da postura, fortalecimento do core, mobilidade e consciência corporal.
O ideal é evitar colocar o pilates no mesmo dia de outra atividade mais intensa, já que a soma dos estímulos pode gerar uma sobrecarga no corpo, principalmente se a rotina já inclui musculação, corrida ou treinos mais exigentes.
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Referências
1. Posso fazer pilates e musculação no mesmo dia?
O ideal é evitar para não gerar fadiga excessiva e perder a qualidade do movimento. Se precisar fazer no mesmo dia, dê um intervalo de pelo menos 6 horas entre as práticas.
2. Atletas de alto rendimento podem praticar pilates?
Sim! Atletas de alto rendimento usam o pilates para o refinamento técnico e para corrigir assimetrias causadas pela repetição exaustiva dos gestos esportivos, garantindo uma carreira mais longa e sem dores.
3. Pilates emagrece ou ajuda na hipertrofia?
O foco principal não é a queima calórica alta nem o ganho de volume muscular (hipertrofia), mas ele auxilia indiretamente ao permitir que você treine com mais intensidade e melhor postura nas suas outras atividades.
4. Preciso de algum equipamento especial para começar?
Para quem já é atleta, o pilates em aparelhos costuma ser mais indicado por permitir ajustes de resistência com molas, mas o pilates solo também oferece benefícios excelentes de controle e força com o peso do corpo.
5. O pilates pode substituir o dia de descanso?
Não exatamente. O ideal é usá-lo como recuperação ativa em dias de treino leve, mas o corpo ainda precisa de sono e descanso total para regenerar fibras da musculação pesada.
6. Por que as molas dos aparelhos de pilates são diferentes dos pesos da academia?
Diferente dos halteres, a resistência das molas é progressiva: ela aumenta conforme a mola estica. Isso exige que o músculo trabalhe intensamente tanto na fase de esforço quanto no retorno, gerando um controle excêntrico que previne estiramentos musculares nos esportes.
7. Pilates causa dor muscular no dia seguinte?
Pode causar, sim! Como o método recruta músculos estabilizadores que muitas vezes estão “adormecidos” na musculação tradicional, é comum sentir uma dor muscular profunda e localizada nos dias seguintes, sinal de que você ativou fibras que não costumava usar.
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