Você já ouviu falar em infecções hospitalares? Também chamadas de IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde), elas surgem durante a internação ou como consequência direta dos cuidados recebidos em hospitais, clínicas, pronto-socorros ou outros serviços de saúde.
Basicamente, elas não estavam presentes no momento da admissão da pessoa e podem surgir tanto durante o período de internação quanto dias após a alta.
No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que entre 5% e 14% dos pacientes internados desenvolvem algum tipo de infecção hospitalar — sendo um dos principais desafios de segurança do sistema de saúde.
Afinal, o que é infecção hospitalar e como surge?
As infecções hospitalares são infecções que surgem durante a internação ou após a realização de cuidados em hospitais, clínicas e outros serviços de saúde.
Elas surgem quando microrganismos, como bactérias, vírus ou fungos, entram no organismo por portas de entrada criadas durante o tratamento, como cateteres, sondas, drenos, feridas cirúrgicas ou aparelhos de respiração.
O risco aumenta porque muitos pacientes estão com a imunidade mais baixa e porque o hospital concentra microrganismos mais resistentes, que podem se espalhar pelo contato com mãos, equipamentos e superfícies.
Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, elas permanecem um desafio devido à complexidade dos pacientes, uso de dispositivos invasivos e aumento da resistência bacteriana.
Quem tem mais risco de ter uma infecção hospitalar?
Por terem o sistema imunológico mais frágil ou por necessitarem de cuidados mais intensivos, algumas pessoas apresentam um risco maior de desenvolver infecções hospitalares, sendo elas:
- Idosos;
- Recém-nascidos, especialmente prematuros;
- Pessoas com imunidade baixa ou em uso de medicamentos imunossupressores;
- Pessoas com diabetes;
- Pacientes com doenças crônicas;
- Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI).
Nesses grupos, a atenção à prevenção e à identificação precoce de sinais de infecção precisa ser ainda maior.
Quais tipos de infecção hospitalar são mais comuns?
As infecções mais comuns normalmente estão associadas ao uso de dispositivos invasivos e a procedimentos realizados durante a internação. Giovanni aponta os principais:
- Infecção urinária associada ao uso de cateter, comum em pacientes que utilizam sonda vesical por vários dias;
- Pneumonia associada à ventilação mecânica, que pode ocorrer em pacientes que precisam de aparelhos para ajudar na respiração;
- Infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso, quando bactérias entram na circulação por meio de cateteres;
- Infecção de sítio cirúrgico, que surge após cirurgias e pode atingir a pele, os tecidos mais profundos ou órgãos operados.
“Cateteres, ventilação mecânica, drenos e cirurgias aumentam portas de entrada, e quanto maior o tempo de internação, maior a chance de colonização por microrganismos hospitalares e exposições repetidas”, explica o cardiologista.
O uso excessivo ou mal indicado de antibióticos também contribui para infecções mais difíceis de tratar, pois favorece a seleção de bactérias resistentes e aumenta o risco de eventos como a infecção por Clostridioides difficile, o que torna o tratamento mais longo e complexo.
Como as infecções hospitalares se espalham no ambiente de saúde
As infecções hospitalares se espalham principalmente pelo contato, e algumas das formas mais comuns de transmissão incluem mãos não higienizadas, equipamentos compartilhados entre pacientes e superfícies contaminadas.
Os microrganismos presentes em um paciente podem passar para outro quando não há limpeza adequada das mãos ou dos materiais utilizados.
Além disso, procedimentos invasivos, como uso de cateteres, sondas, drenos e aparelhos de respiração, criam portas de entrada para bactérias, vírus e fungos.
Para completar, o ambiente hospitalar também concentra microrganismos mais resistentes, que conseguem sobreviver por mais tempo em superfícies e se espalhar com facilidade se os protocolos de higiene não forem seguidos corretamente.
Como evitar as infecções hospitalares?
Os cuidados para prevenir as infecções envolve tanto os profissionais de saúde quanto os familiares. Algumas medidas simples, quando seguidas corretamente, reduzem de forma significativa o risco de transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar.
Entre alguns dos cuidados, estão:
- Higiene adequada das mãos, com água e sabonete ou álcool em gel, antes e depois do contato com o paciente;
- Uso correto de equipamentos de proteção, como luvas, aventais e máscaras, conforme orientação da equipe de saúde;
- Cuidados rigorosos com cateteres, sondas, drenos e curativos, evitando manipulação desnecessária;
- Avaliação diária da necessidade de dispositivos invasivos, retirando-os o mais cedo possível;
- Uso responsável de antibióticos, apenas quando indicados e pelo tempo correto;
- Limpeza e desinfecção adequadas de superfícies e equipamentos;
- Participação do paciente e da família, mantendo as mãos higienizadas e seguindo as orientações recebidas.
“Muitos microrganismos se espalham por mãos não higienizadas e por uso inadequado de equipamentos entre pacientes. Campanhas e auditorias de adesão fazem parte do núcleo de prevenção em serviços de saúde”, esclarece Giovanni.
O que pacientes devem observar durante a internação?
Durante a internação, o paciente pode ajudar na prevenção de infecções hospitalares observando sinais simples e seguindo orientações da equipe de saúde, como manter as mãos limpas, antes das refeições e após usar o banheiro.
Caso perceba dor, vermelhidão, secreção, febre ou qualquer mudança no próprio estado de saúde, o paciente deve avisar a equipe imediatamente.
Pós-alta hospitalar: como identificar uma infecção?
Algumas infecções hospitalares podem se manifestar somente após a alta. Por isso, é importante ficar atento a sinais e sintomas que merecem avaliação médica, como:
Sinais gerais
- Febre persistente;
- Calafrios;
- Mal-estar intenso ou cansaço fora do habitual.
Alterações na ferida cirúrgica
- Vermelhidão progressiva ao redor do corte;
- Dor intensa ou aumento da sensibilidade;
- Calor local;
- Presença de secreção ou pus;
- Abertura dos pontos.
Sinais urinários, especialmente após uso de sonda
- Ardor ao urinar;
- Urgência urinária;
- Dor lombar;
- Febre.
Sinais respiratórios
- Falta de ar;
- Tosse com secreção;
- Febre após internação recente/
Alterações intestinais
Diarreia intensa ou persistente após uso de antibióticos ou internação prolongada, podendo indicar infecção por Clostridioides difficile
Na presença de qualquer um dos sinais, procure atendimento médico o quanto antes. As infecções exigem acompanhamento cuidadoso, pois podem se agravar rapidamente se não forem identificadas e tratadas de forma adequada.
Infecções hospitalares têm tratamento?
As infecções hospitalares podem ser tratadas, mas o tipo de tratamento varia conforme a infecção, o microrganismo responsável e o estado de saúde do paciente.
Em muitos casos, são usados antibióticos, antivirais ou antifúngicos, escolhidos após exames que identificam qual germe está causando a infecção.
Quando a infecção envolve bactérias resistentes, o tratamento costuma ser mais demorado, pode exigir medicamentos mais fortes e, em alguns casos, um período maior de internação.
Por isso, a prevenção continua sendo a melhor maneira de evitar complicações, reduzir o tempo no hospital e proteger a saúde do paciente.
Confira: Como a alimentação influencia o sistema imunológico (e fortalece as defesas do corpo)
Perguntas frequentes
1. O que é uma “superbactéria”?
São bactérias que, de tanto serem expostas a antibióticos em ambiente hospitalar, sofreram mutações e se tornaram resistentes à maioria dos remédios comuns. Elas não são necessariamente “mais agressivas”, mas são muito mais difíceis de tratar.
2. O ar-condicionado do hospital transmite infecção?
Os hospitais possuem filtros especiais (HEPA) que limpam o ar em áreas críticas como centros cirúrgicos. O risco maior não está no ar, mas no contato físico e em objetos compartilhados.
3. O que é “infecção de sítio cirúrgico”?
É a infecção que acontece exatamente onde foi feita a cirurgia. Ela pode ser superficial (na pele) ou profunda (atingindo órgãos). É uma das causas mais comuns de reidratação hospitalar após a alta.
4. O que fazer se eu suspeitar que peguei uma infecção no hospital?
Não tente se automedicar com antibióticos que sobraram de outras vezes. Entre em contato imediato com o médico que fez o procedimento ou procure o pronto-socorro da mesma instituição onde você foi atendido.
5. Por que os médicos pedem para tirar o esmalte antes de uma cirurgia?
O esmalte (principalmente os escuros) impede que o aparelho de oximetria meça corretamente o oxigênio no sangue. Além disso, as unhas naturais ajudam o médico a perceber rapidamente sinais de má circulação ou infecção.
6. Posso pegar uma infecção hospitalar em um exame simples?
É raro, mas pode acontecer. Qualquer procedimento que envolva furos, cortes ou introdução de aparelhos no corpo pode abrir caminho para bactérias se os protocolos de higiene não forem seguidos à risca.
Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?
